25 de fevereiro de 2008

O Rock errou em Campos

Na década de 80 o cantor Lobão previu que o Rock morreria na década de 90 e lançou um álbum intitulado “O Rock Errou”. O velho Lobo estava quase certo. Em Campos o rock errou, derrapou e está agonizando. As boas e velhas bandas de rock ainda se mantém, não se vendem, mas não tem espaço para apresentar o seu trabalho.
As bandas mais criativas e inteligentes da nova geração são execradas pelo poder público, pelos pseudo-empresários, são expulsas das casas de shows e correm por fora no circuito underground, mas são as melhores bandas de Campos. Enquanto a Avyadores do Brazil, Blues Band Vidro, Barca do Som, Reubes Pess Band e outros “Dinossauros do Rock” se mantém fiéis aos seus repertórios e aos seus princípios, outras bandas se transformaram em bandas de pop. Afinal precisam ganhar dinheiro e se venderam ao rock fácil e descartável, música comercial que foi feita para vender e para ganhar dinheiro.
A música pela música acabou. O negócio (por que virou mesmo um negócio) agora é tocar duas vezes no ano pela Prefeitura de Campos, ganhar um cachê que gira em torno de três a quatro mil reais e perder a dignidade cantando refrões pegajosos e riffs de guitarra que imitam o bom e velho rock and roll, (imitam, por que os bons guitarristas raramente tocam na cidade). Os músicos de rock que estão se sujeitando a um show de calouros promovido pela Prefeitura da cidade esqueceram que as bandas de rock sempre estiveram em segundo plano na planície goytacá.
A Prefeitura não promove eventos de rock e relegam os músicos a apresentações vexatórias como a que aconteceu no verão desse ano na praia do Farol. As bandas de rock ficaram escondidas no Xexé onde tocaram para um público medíocre (no que diz respeito a quantidade). A prefeitura para fazer um favor para os “pobres músicos de rock” deu como esmola um festival falido na praia campista. Longe dos olhos do veranista e do turista. E para piorar alguns músicos ainda ficaram satisfeitos com a esmola. Para esses que ficaram satisfeitos, continuem com o “pires na mão” esperando a esmola da Prefeitura.
O recado é para os roqueiros de ocasião e para os punks de butique que assolam a cidade e estão travestidos de roqueiros: joguem fora o disco do Sex Pistols, rasgue a camisa com a foto de Renato Russo e quebre a guitarra no asfalto. Você não é digno de ser chamado de roqueiro. Para empunhar a mesma guitarra que Hendrix, o mesmo baixo que Paul McCartney, o mesmo microfone que Jonh Lydon, e tocar a mesma bateria furiosa dos Ramones é preciso ter atitude, pois Rock and Roll é antes de tudo atitude.
O rock é uma manifestação de fúria transformada em música. O Rock é um estado de espírito, 10% música, 10% transpiração e 80% atitude, se você não tem atitude, não tem nada. Continue com a mão estendida esperando a esmola que cai pelo menos duas vezes por ano (e com quase seis meses de atraso) ou então faça a diferença e faça o que Sid Vicious, Joe Ramone ou os punks de São Paulo e de Brasília fariam. Ou então vá tocar pagode.

1 comentários :

Jammal disse...

CARACA... isso ai meu amigo patrão e proprietário do MUCUFO. Vi seu blog na entrevista que você deu ao Jornal Multimídia.

Sinceramente? Está mandando super bem nos posts, conteúdo está totalmente voltado a revoluções, mais isso é bom que abre a mente dessa galera medíocre que gosta de correr atrás dos convênios e curtir "arerê arerê" ou até mesmo a prefeitura criar VERGONHA NA CARA e dar mais valor a nós que temos nossas bandas de rock e que com certeza produzimos músicas que possuem sentido, diferente de outras que te mandam sentar na garrafinha (antiiiigo) ou até mesmo COMER... ou melhor, dançar a dança RIDÍCULA do CRÉU... pqp.

Cássio. Adimiro sua forma de escrever e expor suas idéias.

Forte abraço do amigo e agora leitor JAMMAL.