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30 de junho de 2013

Um recado para o Grupo Cine Araújo

Não sei se esse recado chegará até os caras do Cine Araújo, não sei se isso fará diferença, mas vou mandar assim mesmo. Campos é uma cidade que sempre teve problemas com cinemas. Na verdade, nas décadas de 70 e 80 não era assim, não haviam problemas, mas soluções. Campos tinha oito ou nove salas de cinema. E pasmem! Havia público para todas elas.
Hoje estamos reduzidos ao Cine Araújo e suas modernas salas localizadas no Boulevard Shopping. Mesmo com todo esse "avanço" nós, cinéfilos,não conseguimos assistir aos filmes que são exibidos por lá. Deveria ser fácil, mas não é. O Cine Araújo não facilita a nossa vida.
Estão sendo exibidos alguns filmes, que todos estavam esperando faz bastante tempo e o Cine Araújo faz questão de exibí-los em horários ruins e dublados. Começo a acreditar que alguém proibiu que Campos receba filmes legendados. Guerra Mundial Z, Superman e Todo Mundo em Pânico 5 estão sendo exibidos por lá e nenhum deles tem cópias legendadas. O que faz esses caras pensarem que todos querem ver os filmes dublados? Em que lugar esse pessoal do Cine Araújo Campos vive? Eles acreditam realmente que todos querem ver filmes dublados? Tem alguém que quer mesmo ver Superman dublado? Alguém vai dizer que Superman é um filme para crianças (e não é) e que as crianças também precisam ver e blá blá blá. Ótimo, então ponham cópias dubladas para as crianças em horários de matiné. Mas, Guerra Mundial Z dublado? Será que alguma enquete, pesquisa foi realizada para saber a preferência da população? Ou para saber o que querem os que realmente gostam de cinema?
Nós sabemos que metade das pessoas que vão ao cinema estão cagando e andando para o filme, uma parte vai para namorar, a outra vai passear no Shopping e enquanto a mulher faz compras ele "espera" no cinema. Uma parte diz que fica "tonta" e não consegue ler e ver o filme ao mesmo tempo, essa parte ou é míope ou é retardada. Estamos em 2013, qualquer criança de 13 anos tem noções avançadas de inglês, ninguém precisa ter a vida facilitada pela dublagem do Cine Araújo.
É óbvio que todos têm o direito de ver um filme dublado, assim como eu e milhares de pessoas em Campos, têm o direito de ver o filme legendado. Pois então, por que não fazer como o Cine Goytacá, Cine Dom Marcelo e o Cine Capitólio faziam desde a década de 70? É simples: coloquem sessões dubladas e sessões legendadas em horários alternados, tipo "cada hora um" entenderam?
O Cine Magic, não faz muito tempo, fazia exatamente desse jeito. Primeiro uma sessão dublada, depois outra legendada, ou então colocava uma em cada sala e você podia escolher. Com apenas um dia de exibição a direção do cinema já sabia que tipo de público ela deveria prestigiar aumentando um dos horários. Não é difícil, e se tiverem um pouco de paciência e respeito pelos usuários poderão fazer a cosia certa.
Pois bem, sem concorrência o Cine Araújo faz o que bem entender e faz o que quer. Não vou ficar aqui criando chifre em cabeça de cavalo e nem vou convocar uma passeata de protesto por conta disso, mas pelamordeDues! Quero filmes legendados no Cine Araújo! Entenderam ou querem que eu faça um cartaz?

18 de maio de 2013

Um novo Superman, de novo

Breve, muito em breve, vamos ver o que a DC Comics e a Warner aprontaram com o Superman. Pois bem, desde mil novecentos e guaraná de rolha estamos esperando por um substituto à altura de Christopher Reeve. Da mesma forma estamos esperando por um diretor tão bom quanto Richard Donner e um filme que não nos deixe com saudades dos dois primeiros longas do Azulão, o primeiro - Superman - O Filme - e o segundo longa, Superman II. Parece, pelo menos parece, que essa espera chegou ao fim.
Não vou tentar avaliar todo o resultado do novo filme do Superman apenas pelos trailers, teasers e spots que foram lançados. Mas tudo o que já foi mostrado do novo filme do Superman, que se chamará O Homem de Aço, já me agradou.
Quando o ator foi escolhido, fiquei aliviado pois o moço, pelo menos, tem cara de Superman e não de Superboy. Henry Cavill vai encarnar bem o personagem, o que ajuda é que o cara também é um bom ator. O roteiro me parece bem costurado e a história, pelo menos até onde eu sei, está boa. Não compromete. Vamos ver o filme primeiro e tirar depois todas as conclusões.
O que me alegra é que tudo está caminhando para que Superman seja um sucesso de bilheteria. Se vai repetir o sucesso de Batman, ainda não sei, é cedo para dizer, mas acho que dessa vez acertaram.
E o vilão? O vilão do novo filme do Superman merecia uma postagem só pra ele. Quando estavam começando a pensar em um novo filme para o herói eu sugeri, aqui mesmo nesse espaço, uma série de  vilões para o filme. Mas os caras me surpreenderam, resolveram reescrever a história toda, desde o começo e reinventaram o personagem, reinventaram o Superman. E isso, por mais estranho que possa parecer, acho que vai ser bom.
Na verdade, sempre que se tentou continuar a história de Richard Donner a coisa degringolou. Acho que o caminho era realmente esse: começar do zero. E o que eles fizeram? Reinventaram o General Zod. Eu acho que ninguém consegue ser um General Zod melhor que Terence Stamp. Mas aí trouxeram o Michael Shannon, que pelo que eu vi, pode até se igualar ao Stamp. Vamos ver se o moço me surpreende.
Ok! Acho que o filme vai ser bom sim. Vai estrear em algumas semanas, mais precisamente no dia 14 de junho. O que significa que a Copa das Confederações vai pro ovo!
Dá uma olhada aí do lado no último trailer lançado e vaja se concorda comigo.



13 de maio de 2013

Heroínas e vilãs = mulheres com pouca roupa

As mulheres vão dizer que essa é só uma desculpa para falar de mulheres e colocar fotos de mulheres bonitas em trajes sumários (também é), mas não é apenas isso. Em uma postagem mais antiga eu falei aqui sobre as cosplays (as meninas que se vestem como personagens de quadrinhos e cinema) e de como aquelas roupas justas e decotadas não faziam muito sentido quando transportadas para a realidade.
Pois essa semana, arrumando minhas pastas virtuais, achei uma centena de fotos de cosplays. Algumas bizarras, a maioria de mulheres bonitas, mas as roupas, definitivamente, não fazem o menor sentido. O que me faz pensar que as histórias em quadrinhos, que não têm obrigação de estarem dentro da realidade, precisam no mínimo serem coerentes com a própria realidade em que elas estão inseridas.
Não dá, por exemplo, para admitir que a Supergirl use uma saia minúscula e combata o crime daquele jeito. Como ela faz para não mostrar a calcinha (se é que ela usa uma) para todos os vilões com quem ela sai no tapa? A Mary Marvel é a mesma coisa. Como não mostrar a bunda com aquela saia? E porque diabos essas heroínas (e algumas vilãs) usam uma saia para sair na porrada?
E não são apenas as meninas, alguns heróis, marmanjos, também usam roupas que são difíceis de engolir. Já repararam no Noturno dos X-Men? Lembra da roupa que ele usava na década de 80? Ou então da roupa do Fera, também dos X-Men? E o Hércules? A versão da Marvel Comics para o deus do Olimpo é uma coisa absurda. O cara também usa um saiote e uma sunga! E isso funciona num combate corpo a corpo? Sinceramente, eu não iria para a guerra com uma sunga, ainda que eu fosse invulnerável.
Não vou repetir aqui nem as fotos e nem citar as mesmas cosplays que eu já citei em outras postagens, mas sempre faço essa reflexão ao ver uma foto de uma cosplay e imagino ela lutando com um vilão maluco, tipo o Dr. Luz que estuprou a esposa do Homem-Elástico. E olha que a Sue Dibny só andava com roupas comportadas, imagina se ela andasse com o "uniforme" da Canário Negro? 
Está certo, estamos falando de um universo de fantasia, de incongruências e de incoerências. Afinal ninguém pode voar, soltar raio dos olhos ou se transformar em água, fogo, ou ainda ficar invisível. Mas, dentro da realidade em que estão inseridos, ou dentro das incoerências "normais" das histórias em quadrinhos de super-heróis, o mínimo que se pode esperar é que tratem o leitor com inteligência, afinal de contas, já faz tempo que as histórias em quadrinhos não são feitas apenas para crianças.
Agora, como não poderia deixar de ser, mais fotos de cosplays, boas ou não. Você decide.











8 de abril de 2013

Depois do Nemo, a Dory desaparece

Pois bem, a Disney/Pixar resolveu arregaçar as mangas e trabalhar em mais uma sequência, que eu imaginava que não ia acontecer. Depois do sucesso absurdo de Toy Story 3, chegou a vez de Procurando Nemo ganhar um número 2. A Disney/Pixar nem sempre aposta em algumas sequências, e quando o faz joga diretamente em DVD. Vida de Inseto, por exemplo, não deve mesmo ter um novo filme, embora, na minha opinião, tenha potencial para uma continuação. Procurando Nemo, apesar do sucesso, não me parecia ser um candidato a ganhar mais uma edição, mas os estúdios anunciaram essa semana que a saga do peixe-palhaço vai continuar.
Dessa vez quem vai desaparecer não é o Nemo, ou o Marlin (o pai do Nemo) mas a namorada, esposa ou sei lá o quê do Marlin, a simpática Dory que roubou a cena na primeira aventura. E o filme não vai se chamar Procurando Nemo de Novo, ou Procurando Nemo 2, o longa já ganhou até o primeiro pôster, e vai se chamar: Procurando Dory.
Sinceramente, estou esperando que esse seja um bom filme. Não esperava uma sequência, achei que o roteiro e o último filme não davam espaço para uma aventura convincente, ou algo que realmente valesse a pena o ingresso. As primeiras informações dão conta de que o filme vai ser lançado no cinema, e não diretamente para DVD como um monte de outras continuações da Disney/Pixar.
Até hoje a Disney e a Pixar (juntas ou não), lançaram algumas continuações que deram certo, e outras que naufragaram. Carros 2, por exemplo, é um dos piores longas animados da Pixar (talvez o pior) e foi lançado para a tela grande. Um erro que eu acredito que a Pixar não deve mais cometer. Assim como Procurando Nemo, os longas: Wall-E, Up, Uma Família do Futuro, A Princesa e o Sapo, A Dama e o Vagabundo, Valente,  e Ratatouille não deveriam ter uma continuação. É lógico que qualquer roteirista daria um braço para ter a oportunidade de escrever uma sequência para m desses longas, mas ninguém pode garantir que o roteiro vai ficar decente e que o filme será bom. O que me parece é que esses filmes já estão resolvidos, é "felizes para sempre" e pronto.
Mas, no mesmo compasso de espera, existem filmes que foram fodásticos e até agora não ganharam uma sequência. O que esses caras estão esperando para fazer uma continuação de Os Incríveis, por exemplo? Monstros S.A. vai ganhar um novo filme, o que é aceitável, pois o roteiro desse novo longa e perfeito e acerta na mosca. Procurando Dory pode ser um bom filme, tem tudo pra ser legal, mas também pode ser uma bomba como foi Carros 2. Enquanto isso, Os Incríveis continua na geladeira.

6 de abril de 2013

O primeiro filme do Quarteto Fantástico

Acabei de ler no Omelete que um novo filme do Quarteto Fantástico vai começar a ser filmado. Em setembro vão tentar consertar a cagada que foi feita nos últimos anos com o primeiro grupo criado pela Marvel Comics. Pois é, se vocês não sabem é bom ficar sabendo: todo o Universo Marvel nasceu após a criação do Quarteto Fantástico. Quando os filmes de 2005 - Quarteto Fantástico - e de 2007 - Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado - foram lançados, os nerds se encheram de esperança.
Pois bem, como o cinema adora nos pregar peças, os dois filmes do Quarteto são duas obras muito ruins. Os filmes, apesar de uma produção caprichada e de efeitos especiais de primeira, têm um roteiro terrivelmente ruim, uma história que não convence ninguém e foram fracassos de público e crítica. O resultado é que seis anos depois um filme "sério" sobre o Quarteto Fantástico está sendo produzido. Um filme que possa ser tão bom quanto Os Vingadores, por exemplo. Pelo menos é o que todo mundo espera.
Mas se os filmes do diretor Tim Story não agradaram, essa não foi a primeira vez que um filme do Quarteto Fantástico foi execrado por tudo e por todos. Todo nerd sabe disso, (e se não souber não é nerd) mas em 1994 um filme do Quarteto Fantástico, muito, mas muito tosco foi produzido. Ficou prontinho, mas a Marvel viu e achou tão ruim que impediu o filme de ser lançado. Aí, o filme virou uma lenda.
Existem duas versões sobre o longa que só fez os fãs de quadrinhos sentirem vergonha alheia na frente da tela. Segundo o site Delfos, uma produtora havia comprado os direitos do filme, mas demorou a produzi-lo. Se o prazo expirasse, eles teriam de pagar uma multa contratual para a Marvel. Decidiram fazer o filme a toque de caixa e chamaram Roger Corman, mestre em produzir filmes B. Depois de pronto, a Marvel vetou o lançamento e destruiu quase todas as cópias. Quase todas. Uma delas sobreviveu e com o advento da Internet, rapidamente se espalhou pelo mundo.
Outra versão diz que o tal estúdio sabia que a Marvel queria fazer um filme de grande orçamento com o diretor Chris Columbus assim que os direitos do filme voltassem para ela, mas não iria querer uma versão capenga do Quarteto lançada antes. Assim, o filme foi feito e a Marvel torrou uma nota para comprar as cópias e evitar seu lançamento.
Bom, de qualquer forma, não é possível que alguém realmente ache esse filme bom. Mas, assistindo novamente (já vi três vezes), chego a conclusão de que o roteiro desse desastre de 1994 é o que mais se aproxima dos quadrinhos. Embora tenha alguns erros monstruosos e tenha efeitos especiais dignos da década de 30, o filme é bem intencionado e tem mais respeito pela história original do que o seu sucessor de 2005. Ahh! Já ia me esquecendo, nesse filme tem um Dr. Destino mais legal do que esse arremedo de vilão do filme de 2005. Mas, o filme é interessante, para se ter uma ideia, as cenas de luta me lembraram do programa a Praça É Nossa!
Hoje, em um rompante de bondade vou poupar vocês de saírem buscando essa preciosidade na internet e vou disponibilizar o filme completo e legendado aí ao lado, na Televizãozinha do Mucufo. Se você nunca viu o "primeiro" filme, live action, do Quarteto Fantástico, essa é a sua chance. Está sem sono? Então morra de rir com essa "aventura".

16 de fevereiro de 2013

Superman, Nicolas Cage e Tim Burton


Ok, nós já sabemos que o Superman, ou melhor, o novo Superman, vai estrear agora em 2013, mais precisamente no dia 14 de junho nos EUA e 12 de julho no Brasil. O filme que se chamará O Homem de Aço, terá Henry Cavill no papel do Superman e será dirigido por Zack Snyder. Essa produção está sendo tratada como uma espécie de divisor de águas na carreira cinematográfica do herói, já que o último Superman no cinema foi um fracasso retumbante.
Bryan Singer conseguiu transformar o herói em um babaca, corno e com cara de baitola. Aqui não vai nenhum tipo de preconceito, mas toda virilidade e personalidade do herói foi pro ralo com a adaptação triste do ator (na época em início de carreira) Brandon Routh.
Mas, não vamos falar dessa peça triste da história do cinema, eu quero falar de uma curiosidade e de algo que poderia ser bem pior do que a obra da dupla Singer/Routh. Antes, bem antes da aventura de Singer com o Superman, outro renomado diretor se aventurou a explorar a vida do Homem de Aço. Felizmente o projeto naufragou. Tim Burton, antes de recolocar o Batman no cinema, tentou emplacar um filme com o Superman e escalou Nicolas Cage (?) para o papel! Ahhh! Você não sabia disso? Pois é meu amigo, as fotos aí nessa postagem não me deixam mentir.
Anos depois da tentativa frustrada de Cage e Burton, várias fotos de teste de roupa, de efeitos especiais, e inúmeros desenhos da produção surgiram na internet. Eu fico imaginando o seguinte: esse porrilhão de coisas deve ter custado uma fortuna! E como pode alguém achar que Nicolas Cage poderia mesmo encarnar o Superman? De onde os dois tiraram essa idéia? Todos sabem que Nicolas Cage é um grande fã do Superman e que até batizou o seu filho com o nome do herói (Kal-El). Tudo bem, eu também sou fã do Superman, também batizei meu filho com o mesmo nome, mas não é por isso vou sair por aí de roupa azul e capa vermelha, nem se eu fosse ator.
Olhando essa fotos da produção, e do que poderia ser o Homem de Aço de Tim Burton e Nicolas Cage, eu me lembro da fase terrível em que o Superman se dividiu em dois e ganhou poderes elétricos. Logo depois da sua morte em uma tentativa tosca de reformular o herói. Tudo nesse Superman de Burton remete ao Azulão elétrico. Ou seja, patético e um desperdício de tempo, dinheiro e energia (sem trocadilhos). Coloquei fotos de todas essas referências que eu citei, aí no fim da postagem, aproveitem bastante.
O meu amigo Nino Bellieny já havia me dado essa dica quando ele esbarrou com as fotos da produção na rede, eu acabei esquecendo de escrever sobre isso, mas agora, com o filme do Escoteiro batendo à porta, nada melhor do que respirar aliviado vendo que a dupla Snyder/Cavill já é melhor sem mesmo o filme ter sido lançado!






18 de dezembro de 2012

Uma jornada ao Cine Araújo


Campos, formosa e intrépida, sofre bastante quando o assunto é cinema. E isso não é um fato novo, o sofrimento já é antigo. Depois de ter cinco cinemas (três deles bem grandes) funcionando ao mesmo tempo, hoje somos reféns do Cine Araújo.
Pois bem, o Cine Araújo é um bom cinema? É! Só que não!
Ou podemos dizer que o Cine Araújo deixa a desejar em alguns pontos, ou em muitos! O fato de não ter concorrência e hoje ser o único cinema da cidade, está deixando o Cine Araújo meio acomodado, e com isso ele acaba deixando os seus clientes na mão.
No último sábado eu queria ir ao cinema assistir O Hobbit. Pois bem, o que fazer? É só olhar na programação e ver os horários disponíveis. Minha primeira surpresa: quase todas as sessões de O Hobbit são dubladas. Só havia uma sessão legendada no programa, e às 22h25. Eles acreditam mesmo que o público de O Hobbit quer ver sessões dubladas?
Já que eu só posso ver o filme às 22h25 e ainda são 16h, como garantir o meu ingresso? Como saber se quando chegar ao cinema eu ainda encontrarei entradas disponíveis? Fácil: vou ligar para o Cine Araújo! Mas qual não foi minha surpresa (a segunda) ao descobrir que no Cine Araújo não tem telefone!Ninguém consegue tirar nenhuma informação de lá porque eles não têm telefone para contato! Uau! Que moderno!
Então, como eu não tenho cartão de crédito e não posso garantir o meu ingresso pelo Ingresso.com o que eu devo fazer? Vou seguir até o Shopping Boullevard - que não é perto - e comprar os meus ingressos. Mas eis que ao olhar pela janela me deparo com o mundo desabando em água! Ok! Está chovendo. E chovendo muito. O que fazer? Chorar? Espernear? Xingar o Cine Araújo? Nada disso adiantaria.
Como eu ainda tinha internet xinguei muito no Twitter e no Facebook. Graças aos palavrões consegui ir ao cinema. O amigo Maxoel Barros comprou os meus ingressos com o cartão dele e nos encontramos lá no horário combinado.
Ao chegar no cinema, fiquei um tempo (um bom tempo) no estacionamento. Depois de rodar pelo shopping e gastar dinheiro de forma desnecessária, segui em direção a sala onde o filme estava sendo exibido. Ao passar pela bilheteria notei que o cinema ainda não aceita cartão de débito ou crédito. O que é uma temeridade, pois nem sempre os caixas eletrônicos do shopping estão funcionando, e se você não tiver dinheiro em espécie vá fazer compras.
Perdi minha paciência novamente ao notar que a fila para comprar pipoca, bala e refrigerante é maior que a fila para comprar as entradas ou para entrar na sala de exibição. E o que é pior: a entrada de qualquer outro tipo de alimento, que não seja vendido na bomboniere do cinema é proibida. Ou seja, se você comprou aquele milkshake no Bob’s achando que vai levar para dentro da sala, se ferrou.
Uma vez dentro da sala de exibição as coisas fluiram normalmente. Embora eles tenham cortado boa parte dos créditos e acendido as luzes muito cedo. 
Bom, como eu disse durante o programa Mucufo na Jovem Capital, o Cine Araújo não é um mar de problemas. Tem as suas vantagens e desvantagens, mas o que se nota é que não há nenhum respeito para com os clientes e nenhum cuidado em dar comodidade aos seus  usuários. E tudo isso porque o Cine Araújo não tem concorrentes. Pelo menos não tem, ainda! Pois com o anúncio do Kinoplex que está chegando e vai substituir o Cine Magic, no Shopping Avenida 28, parece que as coisas não devem ficar muito legais para o Cine Araújo. Todo aquele glamour da inauguração já está virando água e é visível que o Cine Araújo não faz mais o mínimo esforço para cativar os cinéfilos.
Eu não sei se eles perceberam, mas o Cine Araújo fica meio distante até para quem mora no Parque Leopoldina e coma volta do cinema no Shopping 28, eu não vou gastar dinheiro e tempo indo até o limite da cidade para ver um filme.
É melhor colocar as barbas de molho, pois ninguém parece estar disposto a fazer nenhuma aventura para conseguir assistir a um filme. Minhas incursões ao Cine Araújo estão cada vez mais raras e isso pode ficar ainda pior se o atendimento não melhorar. As minhas e de um monte de nerds revoltados!

17 de dezembro de 2012

O Hobbit ou E assim começa mais uma trilogia


Como não poderia deixar de acontecer, realizei a minha jornada inesperada até o Cine Araújo, em Campos, e fui ver O Hobbit. Como ainda não li a obra inteira, (baixei o livro e ainda não terminei a leitura) fui sem saber o que esperar, ou até onde o filme poderia ir. Me surpreendi com algumas coisas, e me decepcionei com outras, mas no saldo geral, foi tudo muito bom.
Não vou falar dos problemas do Cine Araújo e de como a empresa está tratando os seus clientes desde que perdeu a concorrência em Campos. O que parece que não vai durar muito tempo. Tudo o que aconteceu antes, durante e depois da exibição merece uma postagem à parte.
Bom, vamos falar do filme. O Hobbit é o prelúdio da trilogia O Senhor dos Anéis. A história é centrada na figura de Bilbo, o Bolseiro que parte em uma jornada com um grupo de anões em busca de uma montanha sagrada. Ele vai ajudar os anões a retomarem o seu reino que foi tomado por um dragão. Quase todos os personagens de O Senhor do Anéis estão por lá. Você vai encontrar quase todos. Alguns já aparecem de forma sutil e outros participam mais ativamente da trama.
Quando foi filmado, lá em 2001, O Senhor dos Anéis era uma aposta. Poderia dar certo, ou não. Mas deu. E deu muito certo. O que eles querem agora com O Hobbit, é repetir o mesmo sucesso. O que pode acontecer, ou não.
O carisma dos personagens de J.R.R. Tolkien é inquestionável. Impossível não gostar da maioria deles. Todos são interpretados de forma magistral por quase todos os atores do longa. A força da marca é indiscutível e o cuidado com que O Hobbit foi produzido é incrível. Quase nada depõe contra o filme. Quase nada...
Pois é, a impressão que se tem ao sair da sala de cinema é de que o filme poderia realmente ter acabado ali mesmo. Todas as cenas de ação são muito envolventes e emocionantes, embora o resultado seja sempre muito previsível, mesmo para quem nunca leu a obra.
Não é muito difícil se perder olhando as paisagens da Nova Zelândia (local onde o filme foi rodado). Muitas cenas parecem desnecessárias. Minutos preciosos que se perdem quando tomadas da paisagem, da floresta, da selva aparecem na telona. Coisa que poderia ser facilmente picotada. O problema é que boa parte dessas hipnóticas cenas, se deve ao fato de que o filme foi rodado em 48 quadros por segundo. A experiência acaba valorizando mesmo as cenas mais impactantes (como a batalha dos Trovões, por exemplo).
O filme é longo, tem três horas de duração e algumas cenas são fiéis ao livro. A cena do primeiro encontro de Bilbo com Gollum é exatamente igual, mas poderia ganhar uns minutinhos a menos. Assim como as cenas de batalha e os recordatórios poderiam ser um pouco menores. Picotando aqui e ali dava pra fazer a parte 1 e a parte 2 sem problemas. Aliás, se apertassem mais um pouco poderia rolar um filme só com umas três ou quatro horas.
É claro que muita coisa foi modificada, muita coisa foi adaptada. O Hobbit precisa funcionar como um prelúdio e precisa ter as deixas necessárias para que os fás de O Senhor dos Anéis identifiquem ali uma obra antecessora. Por isso, um monte de personagens, cenas e textos foram criados e adaptados.
Mas, dos males o menor: o filme é bom. Tem mais doses de humor do que os três filmes de O Senhor dos Anéis juntos. Muito alívio cômico e alguns desnecessários. Mas, vale a pena o investimento e se os produtores e o diretor Peter Jackson forem inteligentes, e eu acho que são, farão dois filmes ainda melhores que esse. Como sempre, aguardarei ansioso.


22 de outubro de 2012

Rádio mucufo


Pois é, a notícia está meio atrasada, mas passei o domingo tentando consertar isso e agora, com duas semanas de atraso, já posso anunciar aqui: o mucufo está rolando na Jovem Capital FM. Como assim? Pois é, graças ao meu amigo Adriano Lopes que permitiu que essa empreitada fosse ao ar, estou tocando o mucufo todas as segundas-feiras, às 20h, logo depois da Voz do Brasil.
O Mucufo na Capital é um enorme bate-papo com a participação dos ouvintes. Um podcast gigante. Tem tudo o que o blog tem. Quadrinhos, cinema, música, televisão entre outras coisas. Um pouco de cultura pop, muito papo de nerd e muita coisa sobre quadrinhos. E, é claro, que tem música também.
Nas duas primeiras semanas eu e o Maxoel Barros conversamos sobre um monte de coisas, desde o casamento da Mônica e Cebolinha até a saga dos Lanternas Vermelhos. Sem falar no programa especial sobre a série The Walking Dead. Amanhã (ou hoje) o Max volta a conversar com a gente e teremos a participação de mais um convidado (que eu ainda não convidei).
O que importa mesmo, de verdade, é que estamos dando um salto de qualidade e estamos levando as discussões sobre quadrinhos, cinemas e todo aquele papo de geek e nerd para as ondas do rádio, e em Campos! O mucufo não poderia ganhar uma casa melhor. Não acredito, sinceramente, que nenhuma outra rádio da Planície Goytacá topasse essa idéia. Só posso agradecer a Jovem Capital por isso.
Também não posso deixar de agradecer ao Max por ter aceitado tão rapidamente meus dois convites (espero que aceite o terceiro que eu ainda não fiz) e também ao Romualdo Braga que me incentivou nessa empreitada. E também tenho um outro agradecimento nessa bagaça. O meu amigo Waguinho me disse no distante ano de 2008 (ou foi 2009?) que eu deveria fazer um programa na rádio com o nome do meu blog e que falasse sobre quadrinhos e cultura pop. Eu disse a ele: “acho que isso não ia dar certo não, isso é coisa de maluco Waguinho”. Pois é, o visionário Wagner Barroso estava certo! Valeu amigo!

31 de julho de 2012

O Cavaleiro das Trevas Ressurge... e depois vai embora...


Demorei a escrever sobre o novo filme do Batman aqui no mucufo, pois não sabia como escrever sobre o longa sem soltar algum spoiler. Aliás, ainda não sei. Mas depois de assistir pela segunda vez, acho que já posso correr esse risco, e você (que ainda não viu o filme) também. O Cavaleiro das Trevas Ressurge é muito bom. Posso dizer sem erro que é o melhor filme de super-heróis produzido neste último ano.

Se você já viu o longa entenderá o que vou escrever nas próximas linhas, mas se ainda não viu, ao entrar na sala de cinema, não espere um filme de super-heróis. Libere a sua mente do preconceito que esses filmes sempre carregam e esqueça os estereótipos. O Cavaleiro das Trevas Ressurge não é só um filme de super-heróis, é bem mais que isso, vai além. Lembre-se também de que esse é o fechamento de uma trilogia, é parte de um quebra-cabeças e uma parte muito importante.
Portanto, dito isto, lembre-se do Batman que você aprendeu a admirar nos últimos anos, mas guarde com carinho os outros Batmen que você viu durante toda a sua vida (menos os de Joel Schumacher, claro!) pois há referencia a cada um deles desse filme de Christopher Nolan.
O filme faz várias escolhas acertadas e tem como base a história A Queda do Morcego. Ele utiliza várias referencias desta saga para nortear a história desse longa. Nolan conseguiu costurar as pontas soltas dos últimos dois filmes nessa última empreitada e nada, absolutamente nada, ficou sem explicação, ou perdeu-se em algum lugar do roteiro. Foram tomadas algumas liberdades, sempre há algumas licenças poéticas, algumas alterações em relação a história original, a história que todos conhecem nos quadrinhos, mas nem isso fez os fãs torcerem o nariz, nem mesmo os mais rabugentos.
Todos os personagens se destacam, cada um a seu tempo e cada um à sua maneira. Todos têm papel relevante na trama, até mesmo os personagens inseridos somente neste filme. E pode apostar a sua pipoca nisso: todos os personagens importantes na vida do Batman estão lá. E se você for um bom nerd vai saber quem são antes mesmo que eles se identifiquem no final da trama.
Nos dois primeiros longas, Nolan sempre baseou Batman na sua relação com o medo. E como isso era de fundamental importância para a sua sobrevivência como herói, como mito e como lenda em Gotham City. Isso não mudou nesse último capítulo, foi elevado a um nível ainda maior. Se o medo esteve presente norteando as ações do Espantalho no primeiro filme e se transformou em uma peteca nas mãos do Coringa, na segunda parte, agora Bane bebe da mesma fonte que Batman e tem uma relação com o medo tão familiar quanto a sua, ou talvez, até maior.
Este não é um filme pipoca, é um filme para pensar, para refletir. Não deixe que a ação ininterrupta e as cenas de luta entre Bane e Batman te distraia, você não conseguirá entender todo o contexto desse longa se não parar para pensar nas metáforas que ele, de forma inteligente, coloca na nossa frente. Medo, dualidade e política estão presentes a todo momento, e utilizar o Batman pra isso é coisa de gênio. O que me lembra uma frase de Grant Morrisson, que ele colocou na boca do Superman em uma aventura da Liga da Justiça: “o Batman é só um homem, porém, o homem mais perigoso da Terra”.
Então se ainda não viu o novo filme do Batman, vá ao cinema na certeza de que não vai ver um filme do Superamigos e não vai ver o Morcego fazendo poses no alto dos prédios ou utilizando seus bat-trecos. Vá ao cinema para assistir a um filme de ação tão inteligente e brilhante como qualquer outro filme que você cultue e idolatre. O Cavaleiro das Trevas Ressurge não é um filme comum, não é um filme qualquer, assim como o seu antecessor também não foi.
Para não dizer que tudo foi uma maravilha, o elo fraco da corrente são as duas moçoilas do longa. Anne Hathaway está muito bem. Bonita, sexy, habilidosa, ágil, esperta e blá blá blá. Só esqueceram de combinar com ela que ela estava interpretando a Mulher -Gato. Ela pode ser qualquer uma, menos a Mulher-Gato. Não há nenhuma referência da Mulher-Gato que todos conhecemos e aprendemos a amar dentro do filme. Só o nome, Selina Kyle, e o fato de ser uma ladra habilidosa e boa lutadora. Até o arco/óculos que a moça usa na cabeça é terrível. Ele quando apontado para o alto imita duas orelhas de gato. Esse é o momento vergonha alheia dos 164 minutos do filme. Em nenhum momento do filme o nome “Mulher-Gato” é citado. Anne Hathaway, definitivamente, foi um arremedo da Mulher-Gato original. Michelle Pfeiffer continua no alto do pódio. A outra moça da trama, Miranda Tate, interpretada por Marion Cotillard está correta, mas tem uma atuação bem fraquinha, muito pouco para um papel que cresce tanto no fim da trama.
Mas, nem tudo está perdido: preste muita atenção na atuação do Comissário Gordon, do policial Blake e do próprio Batman. Todos impecáveis, além de, é claro, do vilão Bane. Se prestar bastante atenção na atuação do Tom Hardy, vai sair do cinema, ir pra casa, e ao se deitar e fechar os olhos vai ouvir a voz de Hardy abafada pela máscara dentro do seu cérebro. Tamanha é a influência de sua atuação (mesmo sem tirar a máscara) na trama.
Bom, acho que consegui escrever bastante (muito até!) e não soltar nenhum spoiler, mas em breve, quando todo mundo já tiver ido ao cinema, vou escrever novamente, e dessa vez, com spoilers.

12 de julho de 2012

Um Homem-Aranha nada espetacular

Confesso que fui assistir ao filme do "novo" Homem-Aranha com o espírito desarmado. Estava confiante de que eu iria sair da sala de cinema com um sorriso no rosto, mesmo ouvindo e lendo críticas ruins sobre o longa. Pois é... o "novo" Homem-Aranha não tem nada de espetacular. É fraco. Vale o ingresso a atuação da dupla Andrew Garfield e Emma Stone. Os dois, como Peter Parker/Homem-Aranha e Gwen Stacy salvam o filme de um completo desastre.

A primeira trilogia do Homem-Aranha, com Sam Raimi, foi quase perfeita. Exceto o último filme que foi uma cagada total apesar da boa atuação dos vilões na trama. Pois bem, esse novo filme do Homem-Aranha, dirigido por Marc Weeb tentou reinventar o Amigão da Vizinhança. Até aí, tudo bem... as tentativas de se reinventar um personagem como o Homem-Aranha sempre são inúteis, mas não custa nada tentar. Ele tentou, e se deu mal.
Garfield e Stone estão ótimos, quase perfeitos em seus papéis. Principalmente a Emma/Gwen já que a personagem viveu tão pouco tempo nos quadrinhos. Até mesmo a tentativa de colocar a cronologia do herói na nossa época é interessante. Não compromete. Mas, as mudanças na origem do personagem, e na historia criada por Stan Lee é que fazem com que o filme se transforme em uma cagada.
Se você gosta de filmes de ação e não se importa com erros de continuidade, buracos no roteiro e uma história fraca e que não convence, vai gostar do Espetacular Homem-Aranha. Os bons efeitos especiais e a atuação do trio principal (Homem-Aranha/Gwen Stacy/Lagarto) quase fazem você esquecer os erros, mas infelizmente eles estão lá.
O filme moderniza Peter Parker, o que não é ruim, mas teima em modernizar também a sua origem e deixa um monte de pontas soltas ao apenas se basear na origem do Aranha nos quadrinhos. Agora, a trama se baseia no desaparecimento dos pais de Peter Parker, e a busca pelos segredos dos seus progenitores, parece deixar o jovem nerd obcecado, o que parece também diminuir o amor que ele tem pelos seus tios, o que sempre foi latente nos quadrinhos. Em alguns momentos, Parker se parece com um garoto rebelde, e juro que fiquei esperando a hora em que ele ia se revoltar e sair de casa com uma trouxa de roupa nas costas.
Até mesmo a origem do Aranha, a maneira como ganhou seus poderes, está amarrada com o desaparecimento de seus pais e as empresas de Norman Osborn. O que antes não existia. Hoje, existe uma máxima nas telonas de que tudo precisa estar amarrado, como uma grande mega-saga. O que não funciona com o Homem-Aranha. A origem foi modificada, e até a morte do Tio Bem, a descoberta da responsabilidade como herói, tudo isso agora não existe da mesma forma que existia antes. Nessa tentativa de modernizar e modificar a história do herói, muita coisa se perdeu. Para se der uma ideia, a frase cabalística do Tio Bem - com grandes poderes vêm grandes responsabilidades - se transformou em um enorme discurso sobre responsabilidade no celular de Parker.
Outra mudança meio radical foi com o vilão escolhido para o longa. O Lagarto foi uma escolha perfeita. É um dos vilões mais interessantes do Aranha. Mas, acabaram maculando o personagem quando transformaram-no em uma espécie de cientista louco. O Dr. Curt Connors, que virou empregado da Oscorp, empresa de Norman Osborn (o Duende Verde) e acaba sendo meio responsável pela criação do Aranha, e o Homem-Aranha responsável pela sua criação. Uma amarração desnecessária.
Connors não é um vilão, e muito menos um cientista louco. É um homem, um cientista genial que na tentativa de repor o seu membro perdido acaba se transformando em um homem-lagarto, e não tem controle sobre essa transformação. No filme ele é vira um vilão maluco que quer transformar toda a população da cidade em homens-lagarto. Uma besteirada danada que está ali somente para sustentar as cenas de ação do final do longa. Muito ruim.
Tem ainda a atuação do Capitão Stacy, pai de Gwen Stacy e que quase toma o lugar do Tio Bem na história. Já que partem dele algumas lições de moral e protagoniza a parte final do filme com o Homem-Aranha. Choro, morte, sangue e blá, blá, blá.

O filme é diversão garantida para a garotada. Cenas de ação, o Homem-Aranha refazendo suas poses clássicas na hora de lançar suas teias, e até encontraram um bom motivo para que ele ganhasse o apelido de Amigão da Vizinhança. É uma história que se passa antes de Mary Jane, antes do Clarim Diário e antes do Venom. Esqueça o que você viu nos outros filmes, ou vai sair meio confuso da sala de cinema se perguntando onde estava a Mary Jane durante todo o filme. É realmente o início, mas que poderia ser bem melhor trabalhado.
Ficou razoável. Mas se os dois outros filmes forem no mesmo nível, temo bastante por essa franquia. Os filmes dirigidos por Sam Raimi, são infinitamente melhores (os dois primeiros). Só espero que no próximo eles coloquem o Kraven para que eu vá no cinema com um humor melhor.

8 de julho de 2012

Um Homem-Aranha moderno demais

Essa é a penúltima postagem que farei sobre o novo filme do Homem-Aranha, o Espetacular Homem-Aranha. A última será amanhã, quando assistirei o filme em 3D, com pipoca e tudo mais. Já li e ouvi algumas opiniões sobre o longa e o que ouvi não foi muito animador. Estou com o péssimo pressentimento de que eu estava certo sobre esse filme, quando escrevi sobre ele, aqui no mucufo quando as gravações ainda estavam bem no início.

Infelizmente o problema desses novos filmes de heróis é que eles tentam modernizar demais o personagem. Tentam mostrar que o herói pode ser melhor do que ele já é, e que sua história tem que, obrigatoriamente, se adequar ao tempo que estamos vivendo. O velho uniforme do Homem-Aranha, um dos mais modernos, bonitos e arrojados que já vi, continua sendo atual, continua sendo bonito e moderno, mesmo tendo sido criado em 1963. Adequar e modificar um traço ou outro é normal, isso dá pra entender, mas modificar o desenho, ou a estrutura com a desculpa de que o está modernizando, é burrice.
Meu medo em relação a esse filme do Homem-Aranha é que ele caia nesse erro. O filme quer ser moderno demais, quer atualizar demais e quer mostrar que o Homem-Aranha pode ser melhor hoje do que em 1963. Essa impressão eu tenho agora ao ver as últimas imagens do filme e ler as últimas críticas. Ele poderia ser simplesmente o Peter Parker de sempre, mas pelo que li, vi e ouvi, ele agora é um nerd/geek respeitado por uns, odiado por outros e tem até uma vida amorosa, coisa impensável para o bom e velho Peter Parker.
Acho que por um lado, o diretor quer mostrar o que Stan Lee - criador do personagem - mostrou em 1963: Peter Parker pode ser um de nós. Pode ser qualquer estudante retardado que sofre bullying na escola todos os dias, e de repente ganha poderes especiais. E o que é mais legal, e mais fantástico na criação de Stan Lee (em 1963, lembre-se sempre disso) é que mesmo com poderes, mesmo sendo um super-herói, sua vida continua um caos, seus problemas continuam aumentando e nada dá certo para o Amigão da Vizinhança.
Não há o que modernizar, não precisa mexer demais. Adequar ao nosso tempo é normal, é aceitável. Não é obrigatório, mas é aceitável. Então, novos uniformes, novos poderes, novas explicações e uma brusca mudança de personalidade não faz nenhum sentido. Eu ainda não vi o filme, mas estou sentindo que amanhã, quando sair da sala de cinema, vou reler todas as minhas revistas do Homem-Aranha e desejar que ele nunca tivesse ido para as telonas. Eu espero sinceramente que eu queime a língua, para o bem do personagem e dessa nova franquia que se inicia.

6 de julho de 2012

Um Coringa cada vez mais... Heath Ledger?

Pois é criaturas abomináveis, se tem uma coisa que não dá pra reclamar do reboot da DC Comics é a ousadia. Os novos - e velhos - roteiristas estão bem mais ousados e estão acertando em alguns pontos, e errando em outros, claro. Mas o que podemos falar de Batman? Acho que pelo menos na primeira revista que li, a número 1, a DC Comics está no caminho certo. Batman#1 terminou d eforma fodástica.

Essa semana saiu um teaser nos EUA falando da volta do Coringa. O Palhaço do Crime já deu as caras logo na primeira edição do reboot, na verdade ele não "deu as caras" porque tiraram, arrancaram, literalmente, a cara do Coringa. As últimas páginas da revista do Morcegão são bem fortes. Como eu disse no início, são ousadas e absurdamente legais. Não esperava por isso, mas o que eu vi, até agora, me parece muito bom.
O novo arco de histórias se chamará "Morte em Família" e apresenta um Coringa no mínimo chocante. A história ficou a cargo de foi Scott Snyder e Greg Capullo. Snyder explicou que essa é a "maior, pior, e mais chocante história do Coringa que ele poderia fazer". Chegou a comparar com A Piada Mortal de Alan Moore.
Pois bem, depois do que você viu em Batman#1, não espere que isso chegue ao Brasil agora, porque nos EUA, somente em outubro, quando sair por lá o Batman # 13. Mas o que mais me chamou atenção nesse teaser, e no prelúdio sobre o vilão em Batman#1, foi a semelhança deste Coringa com o que foi interpretado no cinema por Heath Ledger. Não só o fato de ter uma cara "recortada" mas os textos, o diálogo e a própria postura desse "novo" Coringa, remetem ao que foi vivido pelo ator em O Cavaleiro das Trevas. É público e notório que a DC Comics está mais afinada com a Warner e está tentando aproximar os seus personagens do cinema. As duas versões devem ficar cada vez mais próximas. E esse parece ser o caminho que esses roteiristas querem seguir. Esperem só pra ver o que o filme sobre o Superman vai mostrar.
Enquanto isso, dá uma olhada no teaser aí do lado. Vão concordar comigo que até hoje, o palhaço do crime ainda não havia sido tão louco assim. Nem tão horripilante... estou quase acreditando que ele come um prato de cocô, porque rasgar dinheiro eu já vi que ele rasga.

27 de junho de 2012

A Bela Adormecida e a Maléfica Angelina Jolie

Dia desses a minha mulher me perguntou porque eu tenho um DVD duplo da Bela Adormecida, o desenho da Disney. Eu respondi: "porque o desenho é bom". Ela não satisfeita me perguntou mais umas três vezes. Eu respondi sempre da mesma forma. No fim, resolvi dizer, ainda achando que ela não entenderia, porque eu tenho esse desenho na minha estante.

Os desenhos da Disney são fantásticos, e os Clássicos são os melhores. É difícil encontrar um Clássico da Disney que seja ruim. E A Bela Adormecida está entre os mais fodásticos. Os vilões, quase sempre, se destacam. E isso não é diferente com o desenho em questão. A cena em que o príncipe Felipe luta contra a rainha Maléfica, quando esta já está transformada em um dragão, é uma das cenas mais legais que eu já vi em um desenho para crianças. Aliás, até para desenhos adultos, é um cena emblemática. Toda a cena, desde a perseguição, a ajuda das três fadas, o escudo, a espada, a floresta de espinhos, tudo é muito legal.
Por isso, eu tenho esse desenho na minha estante. Assim como tenho também A Espada Era A Lei, mas essa é outra história.
Pois bem, recentemente eu tive o prazer de ver as primeiras fotos do filme, live action, que a Disney está preparando para A Bela Adormecida, que vai se chamar Maleficent, e pelas primeiras fotos, o filme vai ser épico. Pode até ser ruim, chato, ou tão bobo quanto As Crônicas de Nárnia, mas fiquei animado com o que vi.
Pra começar o filme é contado do ponto de vista da Maléfica, a vilã, que vai ser interpretada por Angelina Jolie. Eu sempre torço o nariz quando descubro que Jolie vai fazer algum filme, pois até hoje a senhora Pitt não me provou que é boa atriz. Espero que não estrague a personagem com a sua atuação. A caracterização está perfeita, as primeiras fotos de Angelina Jolie como Maléfica me deixaram bem animado, (como você pode ver aí no alto) mas vamos ver o resto.
O site Collider colocou no ar hoje (ou ontem) algumas fotos do filme, e se você gosta de épicos e clássicos como eu gosto, vai gostar do que vai ver. Se essa leitura de A Bela Adormecida acontecer como estou pensando, tem tudo para ser um bom filme. Não será melhor, e nem terá a devida atenção, por conta do preconceito que esses filmes, baseados nas histórias de "faz de conta", carregam. Vide o caso de Branca de Neve, que ganhou duas versões para o cinema e todas as duas foram solenemente ignoradas pela crítica e pelo público.
Agora, você fica com algumas fotos que eu surrupiei do Collider e dá uma olhada no que pode ser um bom filme em 2014.




24 de junho de 2012

Preview do filme do Aranha nos quadrinhos

Todo mundo já sabe que o filme do Homem-Aranha que vai pintar nas telonas no dia 6 de julho, terá o Lagarto como antagonista do Cabeça de Teia. Todo mundo já sabe que o filme é um reboot, uma nova versão do Aranha para as telonas. Eu bati muito no filme em postagens anteriores, nunca confiei nessa nova versão, mas estou começando a me acostumar com a leitura que eles deram a esse novo Homem-Aranha.

O Lagarto foi escolhido porque é um personagem importante na galeria de vilões do Aranha, e ainda não tinha sido retratado no cinema. Mas, estava sumido nos quadrinhos. Já fazia tempo que não aparecia, mas isso parece que mudou nessa última semana. A edição #688 da revista The Amazing Spider-Man apresenta uma capa assustadora, mas assustadora mesmo (essa que você está vendo aí do lado), e é uma prévia do filme do Aranha que chega aos cinemas nas próximas semanas.
O Lagarto, infelizmente está meio tosco no live action, as fotos que já foram apresentadas mostram que a maquiagem não está muito legal. Seria perfeitamente possível fazer um Lagarto semelhante ao dos quadrinhos, com um jaleco em farrapos e com o rosto comprido como o de um lagarto. O resultado, porém, ficou meio desanimador, mas o que se espera, pelo menos, é que a fúria do vilão seja a mesma dos quadrinhos.
O filme foi dirigido por Marc Webb e terá o garoto Andrew Garfield como Peter Parker/Homem-Aranha e a já tarimbada Emma Stone como Gwen Stacy.
Agora, dá uma olhada aqui embaixo e veja se não ficou meio tosco...



23 de junho de 2012

Os Homens Metálicos no cinema

A DC Comics é mesmo um kinder ovo, difícil imaginar o que ela vai aprontar. Junto a editora está a Warner, que também é imprevisível. Bom, a DC e a Warner Bros. vão apostar em um filme dos Homens Metálicos. Aí, você que não conhece bulhufas de quadrinhos, ou conhece só um pouquinho, fica se perguntando: Quem são esses Homens Metálicos?

Muito bem, acabei de vasculhar o Newsarama e encontrei essa pérola. O diretor do filme Homens de Preto, franquia muito bem sucedida dos cinemas, Barry Sonnenfeld, está prestes a levar os Homens Metálicos para as telonas. Barry, inclusive, já estaria até trabalhando na adaptação dos personagens que foram criados na década de 60 por Robert Kanigher.
Os Homens Metálicos, como o nome já diz, são heróis feitos de metal. Andróides criados pelo gênio Will Magnus. Formado por seis integrantes: Ouro, Ferro, Chumbo, Mercúrio, Estanho e Platina - essa última é uma andróide gostosa que parece ser apaixonada por Magnus, cada andróide é feito pelo seu material respectivo e os seus poderes são derivados das possibilidades de cada um desses metais. Os andróides ainda não apareceram no reboot da DC Comics, mas essa notícia significa que eles, de alguma forma, e em algum momento, vão aparecer.
Acho que a DC, embora tenha opções mais interessantes nas mãos e personagens mais famosos, não está errada em apostar em franquias como essa. A adaptação para o cinema seria bem mais fácil, já que se tratam de heróis que poucas pessoas conhecem. A expectativa não seria tão grande e se o filme funcionasse bem, seria uma bola dentro da DC, se o filme não funcionasse, o prejuízo, certamente, seria menor.
As histórias dos Homens Metálicos nunca funcionaram muito bem, as revistas sempre foram canceladas e depois retornavam com outra roupagem. Os heróis nunca ganharam roteiristas famosos e sempre estiveram relegados a segundo plano. Na verdade, os Homens Metálicos sempre foram personagens da Série B da DC Comics, mas, tenho que admitir que os andróides possuem grande potencial. Se funcionar, eu vou ao cinema e ainda compro uma camisa pro meu filho.

15 de junho de 2012

O Pantera Negra nas telonas

Em algumas semanas a Marvel Studios vai criar a mesma expectativa que criou ao anunciar o filme dos Vingadores e dos seus heróis solo: Thor, Capitão América e Homem de Ferro. Além do Hulk que ganhou seu primeiro longa em 2003. Agora, mais quatro filmes serão produzidos, com heróis que até então, ainda não passaram perto das telonas. E parece que o Pantera Negra será um dos escolhidos.

Aqui no Brasil o Universo HQ e o Omelete já anunciaram que o Pantera Negra está no topo da lista de novos filmes da Marvel. O Latino Review foi quem deu primeiro a notícia e cravou que o monarca de Wakanda será o próximo longa da Casa das Ideias. E eu estou começando a acreditar (e gostar) nisso.
Pensando aqui com meus botões, e revirando algumas revistas antigas, me lembrei que o Pantera Negra é um membro bem antigo dos Vingadores. Não é um membro fundador, mas é bem antigo.
Dessa forma, fazer um filme com o Pantera e depois interligá-lo com uma continuação dos Vingadores seria perfeitamente possível, já que as histórias se encaixam bem e não seria preciso mudar muita coisa.
E ainda tem mais: se a Marvel fosse mais inteligente, tomava as rédeas da franquia dos X-Men e começava a fazer filmes decentes com os mutantes. Longas que pelo menos estivessem mais próximos da cronologia original, ou que não se afastassem tanto assim da matéria prima. Se a turma que bagunça os filmes da Marvel der uma boa olhada nos quadrinhos vai ver que Ororo, a Tempestade dos X-Men é também a Sra. Pantera Negra, muito bem casada com o Rei de Wakanda.
T'Challa, verdadeiro nome do Pantera Negra, é rei em um pequeno país no continente africano. Sob o seu comando Wakanda se transforma em uma das nações mais ricas e avançadas de todo o planeta. Durante uma cerimônia T'Challa ingeriu uma erva mística que lhe conferiu poderes sobre-humanos, tais como sentidos aguçados, força, velocidade e resistência acima dos níveis normais. Seus poderes se assemelham, não por acaso, aos de uma pantera.
Vamos sentar, sossegar e esperar. Em algumas semanas um milhão de resenhas vão apresentar os novos personagens da Marvel Comics que ganharão uma chance nas telonas.

10 de junho de 2012

Primeiros passos para um filme da Liga da Justiça

O filme Os Vingadores já é a terceira maior bilheteria da história do cinema. Bom ou não, o fato é que o filme funcionou. Tem alguns erros e coisas pontuais que poderiam ser acertadas, mas no geral, o filme é muito bom. Pois é, a Warner e a DC Comics ficaram assistindo a tudo da arquibancada e agora resolveram começar a se mexer para tirar do papel um filme sobre a Liga da Justiça.

Os executivos da DC Comics e da Warner devem ter se perguntado: porque nós que temos o melhor elenco, os maiores heróis de todos os tempos, não conseguimos realizar bons filmes com nossos personagens? Eu sempre me fiz essa pergunta. O primeiro grande filme de super-heróis é da DC Comics. Em 1978 ela apresentou o Superman ao mundo, e mesmo sem querer criou um marco nos filmes de super-heróis. Todos os outros longas sobre o tema foram inspirados no Superman de 1978. Ironia do destino, no mesmo ano a Marvel apresentava uma filme tosco e muito, mas muito ruim de seu herói mais popular na época: o Homem-Aranha. Tudo indicava que a DC iria mandar bem nos anos seguintes e a Marvel ia capinar sentada durante muito tempo. Hoje os papéis se inverteram.
Com o sucesso de Os Vingadores, e de todos os recentes filmes criados pela Marvel - que acaba interligando o universo Marvel do cinema -, a DC parece que vai apostar na mesma fórmula, mas vai seguir na contramão do sucesso da Marvel. A Casa das Idéias começou com filmes sobre o Hulk, Home de Ferro, Thor, Capitão América e finalmente sobre os Vingadores juntando todos os heróis envolvidos. Isso sem falar no sucesso das franquias do Homem-Aranha e dos X-Men.
A DC quer fazer diferente. Ela contratou recentemente o roteirista Will Beal que está em alta por conta do filme Caça aos Gângsters. A ideia da DC é trabalhar os filmes de seus heróis solo a partir de um filme da Liga da Justiça, e não o contrário, como fez a Marvel. O problema é que vai ter que começar do zero e são muitos heróis para trabalhar. E com dois filmes em andamento o filme da Liga não deve chagar aos cinemas tão cedo.
O último filme do Batman - com o elenco e a equipe atual - chega aos cinemas no dia 20 de julho. Depois, se o Cavaleiro das Trevas voltar às telonas será com outro ator, e outro diretor. O Lanterna Verde segue pelo mesmo caminho. Ninguém sabe se a continuação acontecerá com a mesma equipe ou se vão mudar tudo. Outro "problema"está no Superman. Um novo filme está sendo gravado e só estreia em 2013. Pelo que já se sabe sobre o longa, esse também não seria o Superman da Liga da Justiça. A DC teria que correr atrás de outro Batman, outro Lanterna e um outro Superman.
O que isso significa? Que um filme da Liga da Justiça só seria realidade depois de 2015, isso com muita sorte. Então sosseguem. Curtam o último filme do Batman, depois aguardem o filme do Homem de Aço e continuem assistindo os filmes da Marvel.
Só para mostrar que a DC Comics realmente andou para trás, deem uma boa olhada nesse filme tosco, muito tosco da Liga da Justiça, (aí na televisãozinha do mucufo) feito para a televisão, que é baseado na Liga da Justiça Internacional. Hiper-mega-sucesso que foi escrita nos quadrinhos por Keith Giffen. É mesmo de dar pena... baseado nisso aí, a Warner vai ter muito trabalho...

Tudo o que você queria saber sobre Alan Scott mas não tinha a quem perguntar

Uma semana depois de o Fantástico (aquela "revista eletrônica" dominical) realizar uma das maiores cagadas de sua história, o Segundo Caderno do jornal O Globo da última sexta-feira tentou consertar o erro da matéria "engraçadinha" e mal apurada (ou intencional?) sobre o Lanterna Verde homossexual e explicou o que o Fantástico preferiu não explicar e deixar subentendido.

Vamos ao que interessa. O Lanterna Verde virou gay ou não? Não, o Lanterna Verde não virou gay. Se você levar em consideração o fato de que não existe apenas um Lanterna Verde, mas vários, milhares! De raças, cores e tamanhos diferentes, apenas um deles seria "o" gay, sem alterar a opção sexual dos outros. O Lanterna Verde que nós conhecemos, que ficou famoso recentemente com o filme, se chama Hal Jordan. É o mais famoso também nos quadrinhos, pois foi o primeiro Lanterna Verde da Terra. Hal Jordan foi criado por John Broome e Gil Kane em 1959. Toda a cronologia que conhecemos hoje veio dessa época. A Tropa dos Lanternas Verdes, os Guardiões, Safira Estrela, Sinestro e tudo mais que sabemos sobre o Lanterna Verde veio dessa época e está contido nesse universo.
Tá! Então quem é que teve a sua orientação sexual modificada afinal de contas? Pois bem, Hal Jordan e seus amigos da Tropa dos Lanternas Verdes não tem nada a ver com isso, mas o Lanterna Verde que agora é gay se chama Alan Scott e não é exatamente um dos Lanternas Verdes atuais. E porquê? Bom, coisas que só os quadrinhos e suas "infinitas crises" podem explicar.
Alan Scott foi criado em 1940 como parte de um esforço de guerra (Segunda Guerra Mundial), e é chamado, hoje, de Lanterna Verde da Era de Ouro, ou da Terra Paralela. Alan Scott foi sim, o primeiro a receber a alcunha de Lanterna Verde. Criado por Martin Nodell e Bill Finger, o Lanterna Alan Scott possuía poderes místicos. A energia que seu anel emanava era proveniente de magia, diferente do Lanterna Verde que conhecemos hoje que tem seus poderes relacionados a ficção científica. Alan Scott formava junto com outros personagens a Sociedade da Justiça (o grupo que inspirou a Liga da Justiça). Assim como todos os heróis criados nessa fase, que ficou conhecida como Era de Ouro, (Flash, Mulher Maravilha, Gavião Negro, Átomo, entre outros), todos foram reformulados no fim da década de 50. É aí que entra o nosso amigo Hal Jordan. Olha a capa de uma das revistas da Sociedade da Justiça no fim desse texto...
John Broome, Gil Kane, Carmine Infantino e mais uma dúzia de outros autores reformularam todos os personagens da Era de Ouro. O Lanterna Verde Alan Scott simplesmente sumiu. Desapareceu. A DC Comics detentora dos direitos sobre o personagem achou melhor recriar todos os personagens que havia adquirido. Então, Kane e Broome recriaram o Lanterna Verde. Lhe deram outro nome, outra história e um outro uniforme. Na verdade, apenas o nome foi aproveitado. Alan Scott era só mais um nome na história.
Bom... anos mais tarde, a DC Comics, em mais uma crise existencial, resolveu trazer todos os heróis da Era de Ouro de volta à vida (a editora comprou a All Star Comics, dona dos personagens da Era de Ouro). Colocou todos em uma Terra Paralela, uma espécie de "cópia" da Terra onde vivemos. Então, lá, ela poderia aproveitar todos os heróis que estavam no limbo dos quadrinhos sem alterar a cronologia das suas histórias na Terra "original". O problema é que para cada editora que a DC comprava, para cada grupo de novos heróis que eram introduzidos ao seu universo, uma nova Terra era criada. Ao ponto de a DC ter, mais ou menos, umas dez Terras paralelas. Veio então a Crise nas Infinitas Terras no meio da década de 80. Uma saga que pôs fim a bagunça. Ou pelo menos tentou. A editora unificou todas as Terras e todos os personagens viviam agora em um só lugar.
O que fazer então com dois Flash? Dois Lanternas Verdes? Dois Átomos? Dois Gaviões Negros? Bom, cada um dos heróis antigos ganhou uma origem diferente, uma nova origem. O Lanterna Verde Alan Scott continuava não tendo nada a ver com a Tropa dos Lanternas Verdes ou com Hal Jordan. Seus poderes continuavam baseados em magia e ele passou a ser um respeitável herói sessentão, pai de dois filhos, e que era um dos líderes da Sociedade da Justiça. Apesar de ser, originalmente, um Lanterna Verde (só no nome...), era chamado de Sentinela, ou simplesmente de Alan Scott.
Então chegamos em 2012. A DC Comics passou por mais uma reformulação (perdi as contas de quantas ela já fez) e viu a necessidade, e a oportunidade, de ter em suas fileiras alguns heróis que estivessem mais próximos do que o mundo nos apresenta de verdade. Heróis brancos, negros, índios, mulheres, lésbicas, e é claro, gays. A DC criou um ou dois personagens gays, mas ainda não tinha o impacto necessário. O ideal era aproveitar a reformulação e mudar a orientação sexual de um de seus ícones. Sem coragem de mudar seus heróis da linha de frente - Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Lanterna Verde (Hal Jordan), Ajax e Flash -, optou por modificar mais uma vez os heróis da Era de Ouro, ou da Terra Paralela. O escolhido foi Alan Scott, o Lanterna Verde original. O anúncio de que "um" Lanterna Verde, ou "o" Lanterna Verde teria sua orientação sexual modificada, já causaria barulho suficiente para ofuscar o casamento gay da concorrente. (Leia sobre isso aqui). A DC Comics criou então a revista Earth 2, onde ela colocou Alan Scott e outros heróis da Era de Ouro - e de outras Eras... - em uma outra Terra (a mesma história de mais de 40 anos atrás...), chamada Terra 2 e lá, na bendita Terra 2, o Lanterna Verde se chama Alan Scott e é gay. Hal Jordan, esse, que usa aquele símbolo famoso, que foi interpretado por Ryan Reinolds nos cinemas, e que está na Terra original, esse, é hétero.
Ficou claro agora? Ou quer assistir o Fantástico para aprender mais sobre quadrinhos?