1 de agosto de 2015

Sobre a lua cheia que a gente não viu

Eu me lembro que em um passado não muito distante nós sonhamos com a lua cheia. Me lembro que fizemos promessas, que discutimos possibilidades e que falamos de como a lua cheia era bonita e principalmente de como ela influenciava a nossa vida.
Tenho que confessar: sempre achei a lua bonita, mas nunca imaginei que ela influenciasse de verdade a vida de ninguém, muito menos a minha. Eu estudei alguma coisa sobre a influência da lua nas marés e de como ela poderia influenciar as mulheres. Eu sei que ela é cúmplice dos casais apaixonados, e sei da importância dela para os poetas. Mas a quem eu quero enganar aqui... a lua me lembra você. Eu só consigo me lembrar de como eu esperava por essa bendita/maldita lua. Essa lua me lembra as promessas não cumpridas, os momentos não vividos e tudo aquilo que a lua ia testemunhar e ficou pra depois.
Confesso: esperei pela lua de hoje como uma criança espera pelo Natal. Você prometeu que essa noite seria especial, e que valeria toda a eternidade. Porque a lua, essa que está aí na sua janela, te deixa maior, mais bonita, mais sexy, mais sorridente, enfim, melhor em tudo. Por isso eu esperei , esperei e esperei. Olhava a janela todos os dias e a lua nunca estava perfeita.
Mas eis que hoje a lua está perfeita. Todos os amantes, casais, crianças, poetas, astrônomos, fotógrafos, todos, absolutamente todos estão fazendo questão de me lembrar de que a lua está linda, e que hoje é o grande dia. E aí eu caio na asneira de achar que a lua é um ser sapiente, que faz isso de propósito, e que também estava te esperando e que quando ela nasceu hoje à noite, ela não nos encontrou no mesmo lugar. "Ei chegou a hora! Estou aqui iluminando a sua amada, cadê você?”.  Pois é, eu não estou aí. Não vou chegar hoje, e vai ficar para uma outra vez. Acho que perdi a passada, minha amada não está mais do meu lado, mas ela está por ai, e eu peço que a ilumine do mesmo jeito, mesmo que eu não possa ver. Porque ela fica ainda mais linda quando está feliz.
Olha, eu não vou do lado de fora olhar a lua. Não quero saber se você se lembra das promessas que fez. Ou sequer se lembra de que teria a lua como testemunha... ou se nada disso importa mais. Foi mal lua, mas eu não estou para poesias hoje. Desculpe se te decepcionei também, mas não vai rolar.
Olha, me entenda: toda essa majestade no céu me lembra para sempre do beijo que não aconteceu, as palavras que não foram ditas, o carinho que não se fez e de tudo o que não aconteceu. Ficou tudo no meio do caminho.
Prefiro acreditar que a lua tirou um tempinho para me consolar e dizer que assim como eu está esperando por você, que a lua com toda a sua majestade, está te observando também, e que espera que a gente esteja junto um dia. Prefiro acreditar que a lua vai voltar tão linda e majestosa como está hoje. Não sei quando, mas vou me preparar para uma próxima lua azul. Vou acreditar que a lua é minha parceira nessa empreitada, e que ela vai tentar me ajudar, que eu preciso seguir acreditando e de vez em quando dar uma olhadinha para o céu. Que de repente, na próxima lua cheia, você vai estar aqui por perto e vamos poder realizar todas as promessas não cumpridas e seguir com tudo o que ficou. 
Foi mal lua, mas hoje eu não estou bom para rimas, e não tenho o menor traquejo para a poesia. Desculpe se eu não vou reverenciar a sua beleza ou sua majestade. Desculpa se eu te ignorar mesmo que você tente chamar minha atenção no céu. O momento não é muito bom sabe. Acho que você me entende não é? Foi mal ae... para as duas, você e a lua.
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