28 de julho de 2013

O bom e velho Superman está de volta


Essa resenha contém spoilers. Se você ainda não viu o Homem de Aço continue por sua conta e risco.

Finalmente consegui assistir O Homem de Aço, e legendado. Não foi graças ao Cine Araújo, em Campos, que insiste em exibir os filmes dublados (o novo filme do Wolverine também não tem nenhuma sessão legendada). Graças a ajuda de alguns amigos consegui ver a nova versão do Homem de Aço para as telonas com o som original. Posso dizer que a  experiência foi excelente.
O novo Super-Homem segue os mesmos padrões que o Batman, por exemplo. Até porque a equipe de criação é a mesma. O personagem sofreu algumas mudanças em sua origem, e uma reformulação que adequou o personagem aos novos tempos. É claro que o “mi mi mi” dos fãs mais xiitas está rolando solto na rede. Não faltam sites especializados, e gente criticando o longa. Mas, não me lembro de ninguém criticando o filme do Batman quando os diretores resolveram mudar algumas coisas na vida do Morcego.
O Homem de Aço é um filme excelente. O melhor reboot que foi feito até agora do personagem e a segunda melhor interpretação desde 1978. O roteiro de Christopher Nolan e David S. Goyer está impecável, são poucos os motivos para os fãs torcerem o nariz. E, ao contrário do que alguns estão alardeando por aí, pouca coisa não foi retirada dos quadrinhos. Quase tudo que está na telona, também está em alguma HQ do Superman. Portanto, não há motivo para tanto “mi mi mi”.
Pra começar Jor-El e Jonathan Kent quase roubam a cena. A atuação dos dois “pais” do Superman é impecável. Kevin Costner se redimiu das últimas cagadas que ele aprontou no cinema. Depois da cena em que ele conta ao jovem Clark que ele é um alienígena, e também a cena de sua morte, eu o perdôo por ter “cometido” aquele crime chamado Waterworld. Toda essa sensibilidade e esse texto mais leve (contrastando com a história do Batman, por exemplo), é uma constante nas histórias do Superman. Ele é um escoteiro, o mocinho, e essa premissa não foi quebrada, mas sim adaptada para os novos tempos. Um Super-Homem com cara de Super-Homem, mas que sabe bater e ficar bravo quando necessário. Até a Lois Lane estava muito próxima da personagem que ficou imortalizada nos quadrinhos, a atriz Amy Adams encarnou perfeitamente o papel e já pode escrever seu nome na história do Homem de Aço no cinema.
Nem preciso dizer que o ator principal, Henry Cavill, não nos fez esquecer de Christopher Reeve, mas coloca o ator em um lugar de destaque na franquia e faz da sua interpretação uma das melhores já feitas do personagem até hoje. E por falar em interpretação o General Zod me surpreendeu positivamente. Sou fã de Terence Stamp, que interpretou Zod nos filmes de 1978 e 1981, mas o novo General Zod, Michael Shannon, não ficou para trás, teve excelente atuação e foi um antagonista de peso para o Homem de Aço.
E finalmente, vamos falar sobre o final que fez sites e fãs do Super-Homem ficarem em um mi mi mi sem fim: Superman mata o Zod no final. Ele quebra o pescoço do vilão porque não encontrou outra alternativa para salvar pessoas inocentes. E daí? O Superman já fez essa mesma coisa nos quadrinhos, e matou não só o Zod, mas todos os prisioneiros da Zona Fantasma e ninguém ficou enchendo o saco como estão enchendo agora. O beijo apaixonado entre Lois Lane e Superman, na parte final da batalha foi mais “sem noção” do que o Azulão ter quebrado o pescoço do seu inimigo. Não entendo porque os diretores e roteiristas insistem em meter uma cena de beijo no meio de todo filme, sempre estraga uma narrativa que caminhava bem.
Outro mérito deste longa foi resgatar uma história que sempre foi mal contada, a história de Krypton. Todas as coisas sobre o planeta natal do Superman eram representadas por cristais e pouco se via, ou se sabia, sobre o planeta. Dessa vez as coisas não ficaram tão claras como poderiam, mas a cultura kryptoniana e os motivos da destruição do planeta, e principalemente o que levou Jor-El a colocar seu único filho em uma nave para a Terra foram melhor explicados.
E para os que estão levantando a hipótese de que a história de Superman tem alguns elementos da história de Jesus Cristo, vocês estão certos, pois o próprio diretor do longa, Zack Snyder, declarou isso em uma entrevista. Então, vamos parar de mi mi mi e esperar pela sequência, e dessa vez com o Batman. Afinal de contas, é o Batman não é?

0 comentários :