8 de julho de 2013

A mágica dos irmãos Cafaggi


Aos leitores deste espaço eu não preciso apresentar a Turma da Mônica, Mauricio de Sousa ou o Graphic MSP. Mas, como você pode ter esbarrado com essa resenha na internet, por algum motivo, e estava em outro planeta nos últimos anos, vamos a um breve relato.
O projeto MSP50 que comemorou os 50 anos da Mauricio de Sousa Produções deu tão certo que seu editor Sidney Gusman, resolveu fazer um projeto tão bom quanto a primeira empreitada que rendeu três ótimos álbuns (MSP50, MSP + 50 e MSP Novos 50). Gusman, que foi o mentor intelectual do projeto MSP, também bolou o Graphic MSP com seus colaboradores e agora, ao invés de histórias curtas, como nas edições dos MSP's, os artistas teriam mais páginas para reinventar os personagens criados por Mauricio de Sousa. Foi assim que a mágica aconteceu.
Você já deve ter lido Astronauta - Magnetar, onde Danilo Beyruth, o cara por trás de Necronauta e Bando de Dois, reinventa um dos personagens mais legais do universo criado por Mauricio de Sousa, o Astronauta. Essa foi a primeira edição do Graphic MSP que foi para as bancas. Agora, finalmente, chegou a vez de Vitor e Lu Cafaggi apresentarem ao mundo a versão deles para Cascão, Magali, Mônica e Cebolinha, a formação clássica da Turma da Mônica em uma aventura que vai levar você (seja qual for a sua idade) para um passeio nas suas lembranças e memórias.
Turma da Mônica - Laços foi anunciada - não pelos seus criadores, ou pelo seu editor - como uma aventura que remeteria aos anos 80 e a filmes como Goonies e outras obras de aventura infanto-juvenil. Antes de ler, e ao ouvir os primeiros comentários, só conseguia imaginar a musiquinha da Sessão da Tarde. Hoje, depois de ler e reler, descobri que Laços é muito mais que uma aventura oitentista da Sessão da Tarde. Aliás, um filme não seria má ideia...
A história é simples, como são todas as histórias que acontecem com as crianças. É uma aventura fantástica, como são todas as aventuras que vivíamos quando éramos crianças. Mas não é essa magia que torna as crianças, as suas histórias, e as nossas memórias algo tão especial? Pois é. Os "magos" Vitor e Lu Cafaggi se mostraram habilidosos com as suas varinhas de condão.
Cebolinha perdeu o seu melhor amigo, o seu cachorro Floquinho. Só isso já bastaria para tornar a história épica, afinal de contas, só quem já teve um cachorro sabe o que é perder o seu animal de estimação, e por conseguinte, seu melhor amigo. Eu já perdi um, e fico triste só de lembrar. Mas vamos lá. Floquinho desapareceu, e toda a turma, solidária a dor do amigo Cebolinha, parte em busca do seu animal de estimação. Não acredito que tenham andando muito longe, nem acho que passaram por tantos perigos assim, mas quem nunca andou léguas e mais léguas e descobriu anos depois que aquela distância toda percorrida quando se tinha sete anos, era a mesma que você percorre hoje ao ir a padaria da esquina? É a tal mágica dos Cafaggi acontecendo.
Laços é uma história de amizade, de amor e de solidariedade, e, é claro, uma história mágica. De laços que nunca se rompem e que se mantém sob qualquer circunstância. Ao ler essa obra, é impossível não se lembrar dos seus amigos de infância, de quantos ainda estão por perto, e perceber que esses laços que você vê entre os inseparáveis amigos do Bairro do Limoeiro, ainda estão por aí. E como não se lembrar do seu animal de estimação? Só mesmo quem nunca teve um cachorro na infância não conseguiria se colocar no papel do Cebolinha. E o mais fantástico é que tudo acontece de uma forma tão mágica, que apesar de toda a apreensão inicial, você tem a certeza de que tudo vai terminar bem. Pois não era exatamente isso que acontecia na infância? Por maior que fosse a distância, por mais perigosa que fosse a rua do lado, seus pais estavam lá no final para te abraçar e colocar merthiolate naquele joelho que você estropiou todo ao cair da bicicleta.
Ler Turma da Mônica - Laços é se reencontrar com o passado, e se o seu passado não se parece nem um pouquinho com o que Vitor e Lu Cafaggi pensaram para essa Graphic MSP, eu fico triste por você, pois sua infância deve ter sido muito chata.
Nem preciso falar do acabamento da obra, ou da qualidade gráfica do material. Um acabamento impecável para uma arte incrível, realmente linda. Se você marmanjo, se pegar sorrindo, ou se pegar chorando, não se preocupe, o efeito colateral é esse mesmo. A mágica aconteceu.

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